Pode (ainda) o jogador lançar-se à transcendência?

“”A existência é o que nunca será objeto, a origem a partir da qual penso e ajo, da qual falo através de raciocínios que não trazem conhecimento algum; a existência é o que se relaciona a si mesmo e, desse modo, à sua transcendência”. A orientação no mundo não pode oferecer nenhuma orientação unívoca, cientificamente determinável, à existência. Virtual, a existência é possibilidade permanente: aberta sobre o abismo de uma verdade plural, ela é tomada de vertigem. Somente a relação com a transcendência pode arrancá-la dessa vertigem.” – Jacques Colette

“O que devemos perguntar agora é se precisamente essa semi-autonomia da esfera cultural não foi destruída pela lógica do capitalismo tardio. Mas o argumento de que a cultura hoje não é mais dotada de autonomia relativa que teve em momentos anteriores do capitalismo não implica, necessariamente, afirmar o seu desaparecimento ou extinção. Ao contrário, o passo seguinte é afirmar que a dissolução da esfera autônoma da cultura deve ser antes pensada em termos de uma explosão: uma prodigiosa expansão da cultura por todo o domínio do social.” – Fredric Jameson

1986. Copa do Mundo, quartas-de-final. Quatro anos após a Guerra das Malvinas, Diego Armando Maradona se depara com a partida mais importante de sua carreira até então. Representando seu povo contra a Inglaterra, que havia retomado o controle das Falklands, Diego vê seu legado em jogo.

Caminhando na linha tênue entre a glória e a catástrofe, como quem ao mesmo tempo entendia a gravidade do contexto e, por pirraça, jogava como uma terça-feira nas calles de Buenos Aires, sua resposta a uma situação limite desta magnitude ecoa para a eternidade: o gol mais polêmico do futebol e, posteriormente, o gol individual mais bonito da história das copas saem de suas mãos e seus pés.

A Argentina viria a ganhar a Copa do Mundo e o Dios platense, por consequência, tornaria-se imortal; porém, interessa-nos, em específico, a partida contra os ingleses. Frente a uma situação-limite, Diego lançou-se ao mais-além. Naquele dia, Diego se lançou à transcendência.

Diego y su mano divina.

Ora, Maradona não foi o único a se lançar em direção à transcendência. Podemos interpretar as cifras (explicadas mais à frente) do transcendente em inúmeros lances ostentosos e imortais que o desporto-rei, através de suas estrelas, nos proporcionou. É inegável, todavia, que ditos momentos, quando encontrados no futebol moderno, denunciam sua insuportável escassez. António Lobo Antunes, genial e recém-falecido escritor, outrora definiu os jogadores modernos como:

“[…] Burocratas, funcionários, escrevendo memorandos, copiando minutas, distribuindo circulares. O que vejo agora, nos raros momentos em que espreito a televisão, são funcionários. Escrupulosos, obedientes, chatos. Uma espécie de perfeição negativa. Uma monotonia de repartição.”

O que concorda com o que escrevi num texto anterior, onde argumentei que os espaços de ação de um atleta foram reduzidos, diminuídos de tal forma que o delírio, o choque e o inédito por eles gerados por meio do jogador tenham se tornado questões dispensáveis e inúteis, obstáculos para a produção do resultado desejado. Não creio que isso seja controverso. Por inúmeros motivos – táticos, mais obviamente –, as zonas acessíveis a um atleta possuem limites claros, bem definidos anteriormente à partida, o que corrobora com a visão do futebolista moderno como um cumpridor, um obediente, rumando à referida perfeição negativa.

O futebol, hoje, observa-se a partir dos modelos e se consolida como um jogo de modelos; e o jogador, claro, deve se encaixar neles. E se engana quem pensa isso como meramente uma efêmera onda tático-estratégica; desde o giro neoliberal ocorrido na década de 1970, tudo converge para o esvaziamento do do ser humano (e, portanto, do jogador) enquanto indivíduo e para a adesão completa do futebol à lógica de mercado.

Mas, ao ligarmos a televisão, ainda é possível encontrar algum espaço de ação autônomo reservado ao atleta e, apesar de seus movimentos também passarem por um processo de racionalização metodológica pré-jogo, o instinto, a criatividade e a agência ainda estão lá, hora ou outra vindo à tona. De qualquer forma, trata-se de um fenômeno em escassez, de tal forma que um deprimente anúncio de que não há perspectiva de melhora não surpreenderia uma alma sequer. 

Sendo assim, algumas perguntas vêm à tona: o quanto de autonomia resta ao jogador? Pode ainda ele lançar-se à transcendência, mesmo após o futebol ter sido completamente tomado pela lógica neoliberal – incluindo as tendências táticas modernas?
Neste texto, eu argumento que sim, mas com ressalvas. A metodologia será, em suma, uma tentativa de conexão entre a existenzphilosophie alemã e o marxismo humanista. Explicarei as expressões aqui utilizadas (transcendência, giro neoliberal, sistemas de ação, etc.) e como, em conjunto, elas podem indicar uma insuficiente, mas significativa fagulha de esperança para talvez devolver algum resquício de individualidade ao hoje esvaziado jogador de futebol.

O rei e o anjo. Sobre lançar-se à transcendência. Colorização: @nostalgiafutbo4.

1. Transcendência, existenz e como o homem torna-se quem se é

1.1. Sobre a filosofia jasperiana

A transcendência foi tratada em maior ou menor grau por porção significativa de filósofos, religiosos e estudiosos nos últimos séculos; algo natural, visto que o ser humano sempre, de forma ou outra, procura a superação da imanência. E nada humano seria estranho ao jogador de futebol.

Karl Jaspers, psiquiatra e filósofo alemão, deu a “definição” – ou melhor, a ausência dela – que mais tenho apreço. Delimitemos que, para Jaspers,  a transcendência é o absoluto outro, inacessível ao conhecimento objetivo, que se torna presente apenas de modo indireto na existência humana, através de experiências-limite e da interpretação de cifras, constituindo um horizonte de sentido para a autossuperação do existente.

A transcendência não se deixa apreender como objeto de conhecimento, à maneira pela qual a ciência se relaciona com seus entes, uma vez que se situa para além de toda e qualquer determinação conceitual, razão pela qual não pode ser submetida à prova, nem descrita em sua plenitude, tampouco capturada pelos limites de uma linguagem movida pelo rigor. Fernanda de Araújo Melo, Profª. Ma. e estudiosa do autor, esclarece que:

“Na busca pela compreensão da existência humana, Jaspers não se restringe unicamente a uma investigação objetiva do homem e de sua relação com o mundo, mas, também, procura entender a existência humana ‘sacudida’ por sentimentos e profundas experiências existenciais. Diante disso, é possível dizer que, de certa forma, o filósofo se opõe à excessiva importância atribuída ao pensamento técnico-racional na vida humana. Ora, o conhecimento científico, ainda que universalmente reconhecido, não consegue resolver, na unanimidade de sua razão, os problemas relativos à existência em seu contínuo embate com as múltiplas possibilidades da vida.” [1]

A Existenzphilosophie jasperiana baseia-se, então, menos numa análise racional de supostos fatos concretos à existência e mais a uma abertura ao incognoscível, ao campo da possibilidade absoluta. 

O mundo enquanto visão objetificada, como compreensão científica daquilo que cerca o ser, é chamado de Dasein por Jaspers (não confundir com o conceito homônimo de Heidegger). Apesar de inegavelmente útil e presente no cotidiano, o Dasein, o ser-no-mundo é vulgar e compreende apenas uma parte do todo. O ser consegue explicar a si mesmo apenas em termos científicos, através da objetificação e psicologização do mundo ao seu redor, e nada para além disso. Em outras palavras, o viés cientificista, técnico-analítico e “objetivo” não pode ser suficiente como modo de entendimento do Ser.

Antes de seguir adiante a fim de explicar como Jaspers ultrapassa o Dasein para examinar a existência como uma abertura infinda às possibilidades, vale comentar sobre o conceito de “Envolvente”, que rege todo o sistema da Existenzphilosophie do psiquiatra e filósofo alemão.

O envolvente, para ele, designa a dimensão fundamental que sustenta e torna possível toda experiência, sem jamais se constituir como objeto no mundo. Trata-se de um horizonte originário que ultrapassa a cisão entre sujeito e objeto, funcionando como o elo de unidade entre ambos, embora não se reduza a nenhum deles. Por essa razão, o envolvente não pode ser apreendido diretamente pelo conhecimento objetivo, mas apenas indicado por meio de uma operação filosófica que alterna entre a construção de objetividades e sua posterior superação em direção ao inobjetivo.

Nesse sentido, ele não expressa um conteúdo determinado, mas configura um “saber de orientação”, responsável por iluminar as condições de possibilidade do conhecer e do existir. Assim, o envolvente revela-se apenas indiretamente, através de seus modos de manifestação (como consciência, espírito, existência empírica e existência possível), permanecendo, em si mesmo, como a realidade inobjetiva que fundamenta tanto o mundo quanto a própria transcendência. 

Um exemplo simples do Envolvente na filosofia jasperiana pode ser dado pela situação de compreender uma paisagem: ao observar uma montanha, ela aparece como objeto diante de um sujeito que a percebe; contudo, a própria possibilidade dessa relação — o “horizonte” que torna viável tanto o ver quanto o que é visto — não é algo que se apresente como objeto. Esse horizonte, que sustenta a experiência sem ser diretamente apreensível, ilustra o que Jaspers denomina envolvente.

O funcionamento do Envolvente e seus respectivos modos em Jaspers [1].

Assim, verifica-se que o Dasein está inserido no Envolvente, sendo, mais especificamente, aquilo que “somos”. Observa-se, na imagem acima, que há outros modos e manifestações do envolvente. 

A consciência em geral (Bewusstsein überhaupt) designa a instância universal que torna possível todo conhecimento objetivo, funcionando como condição formal para que algo seja pensado. Já o espírito (Geist) refere-se à dimensão que organiza, unifica e confere sentido à multiplicidade de pensamentos e ações, atuando como princípio formador de ideias e totalidades significativas na experiência humana. Ao interpretar um acontecimento histórico, por exemplo, a consciência em geral permite apreender os fatos, datas e relações causais como objetos de conhecimento; já o espírito atua ao integrar esses elementos em uma totalidade significativa, conferindo-lhes sentido, como ao compreender o significado histórico ou cultural desse acontecimento.

Todos esses modos não esgotam a existência humana. Falta algo, ainda. E o que falta é, talvez, o mais importante dos conceitos que foram ou serão apresentados no texto, com exceção da transcendência: a Existenz, ou existência possível. É nela que se dá a abertura das infinitas possibilidades do ser, do sentido, da descoberta daquilo se verdadeiramente é e do que se é capaz. Como diz o próprio Jaspers:

“Descobrir o ser do homem equivale, antes, a pensar o envolvente que somos. E  pensar o envolvente que somos é pensar em múltiplas maneiras: como vida empírica, como consciência em geral, como espírito e como existência. Ora, o homem vive como ser empírico no mundo, sob a orientação do mundo. Também vive como consciência pensante em geral, e, nesse caso, está dirigido aos objetos. Como espírito constrói a idéia de um todo em sua existência mundana. E como existência possível vive no plano da liberdade, das escolhas, e, com isso, no plano da transcendência.” – Karl Jaspers, Balance y perspectiva.

Karl Jaspers.

Assim, a Existenz posiciona o ser em condição de abertura à transcendência, adquirindo consciência de si próprio em relação ao mundo, dominando-o e o ultrapassando. Mas qual a relação da Existenz com a transcendência?

A passagem da Existenz à transcendência ocorre quando o indivíduo, enquanto existência possível, toma consciência de si não como objeto, mas como liberdade que se realiza em escolhas. Esse movimento se intensifica diante das situações-limite (Grenzsituationen), isto é, experiências inevitáveis e incontornáveis como a morte, o sofrimento ou a culpa, que não podem ser resolvidas objetivamente e expõem os limites do conhecimento e do controle humano; por exemplo, a vivência da perda de alguém próximo, que não pode ser “superada” por explicações, apenas assumida existencialmente.

Nessas situações, rompe-se a confiança no saber objetivo e o existente é impelido a um movimento interior de superação, no qual, ao reconhecer seus próprios limites, abre-se à transcendência como o horizonte que fundamenta e ultrapassa toda objetividade.

Essa transcendência não é um objeto cognoscível e alcançável, mas o “envolvente do envolvente”, acessível apenas indiretamente por meio de sinais ou cifras que exigem interpretação existencial. Assim, ela não se oferece como conhecimento positivo, mas como um apelo que se manifesta na experiência interior, sobretudo na comunicação existencial e na liberdade, orientando o indivíduo para além dos limites do mundo objetivo.

O que são essas “cifras”? Em suma, são manifestações indiretas pelas quais a transcendência se insinua no mundo, sem jamais se tornar objeto. Aparecem em experiências ou obras que, embora objetivas, apontam para um sentido que as ultrapassa; por exemplo, uma obra de arte pode ser percebida não apenas como objeto, mas como portadora de um significado mais profundo. Assim, as cifras funcionam como sinais que orientam o existente para além do dado imediato.

Dessa forma, a filosofia de Jaspers convida o ser humano a superar a visão limitada e técnica do mundo (Dasein) ao reconhecer o Envolvente como o horizonte inobjetivável que sustenta a realidade. É por meio da Existenz que o indivíduo, ao enfrentar situações-limite e decifrar as “cifras” da Transcendência, rompe com o saber puramente racional para realizar sua liberdade. Assim, a existência humana define-se como uma abertura constante ao incognoscível, onde o sentido do Ser não é capturado apenas pela ciência, mas vivenciado na superação de limites impostos constantemente pela vida.

Certo. Mas o que isso tem a ver com futebol? É o que discutiremos a seguir.

Kylian Mbappé, no intervalo entre seu primeiro gol e o fim da prorrogação na histórica final de 2022, também se lançou à transcendência.

1.2. O jogador de futebol, situações-limite e transcendência

Não é difícil perceber como a filosofia jasperiana se adequa com alguma facilidade ao nosso contexto, ainda mais com os exemplos em imagens dados desde o início do texto. O Dasein do atleta em campo pode se referir à existência não examinada deste durante os 90 minutos; o mero cumprimento de tarefas por superiores endereçadas e a execução gestual instintiva comum ao jogo de futebol. 

A consciência em geral e o espírito abrem e organizam a possibilidade de conhecimento e apreensão dos fenômenos comuns ao jogo. O jogador sabe o que necessita fazer, onde fazer e como fazer, com base em instruções para ele passadas anteriormente e na própria experiência a posteriori, buscando adequá-la ao contexto que a ele se apresenta naquele determinado instante, naquele determinado espaço de ação.

Assim, possibilita-se o “jogar”, mas este ainda não é exaurido; falta ao jogador a abertura às múltiplas possibilidades que o jogo oferta, a conhecer a si mesmo através do jogar e do lançar-se àquilo que não pode ser racionalizado, planejado e previamente estudado.

Com isso, em alguns casos, frente a situações-limite, o atleta percebe — e trata-se mais de uma percepção ou uma tomada de consciência do que uma racionalização mecânica — a infinda rede de possibilidades que o cercam naquele momento. O campo torna-se seu oceano, seu caleidoscópio de eventos e alternativas. 

A situação-limite, como a iminência de um erro decisivo, a pressão extrema ou a oportunidade única, rompe a segurança do agir automático e o coloca diante de si mesmo. Nesse diminuto instante, o atleta torna-se completamente senhor não apenas de seu próprio destino, mas também do destino da partida. O gramado se confunde com seu quintal, com sua rua de casa, e os outros 21 jogadores rebaixam-se a meros coadjuvantes, atores no espetáculo do possível.

La Mano de Dios, o chapéu e o golaço de Pelé frente aos suecos, o estado de flow de Kylian Mbappé em plena final de Copa do Mundo: podemos interpretar tais eventos não como a transcendência-em-si, pois esta é inatingível e inobjetivável, mas como possíveis cifras, que exigem interpretação existencial e que podem ser compreendidas como expressões de um lançar-se à transcendência a partir da abertura à Existenz

É nesse ponto que se torna possível pensar a comunicação existencial em Jaspers. O companheiro de equipe e o espectador não acessam diretamente o lançar-se à transcendência do jogador; ao interpretar aquele gesto como cifra, porém, podem ser afetados por ele e, em sua própria existência, experimentar uma abertura análoga. Portanto, o que se estabelece é uma comunicação de possibilidades: o movimento existencial do jogador, diante da situação-limite, ressoa no observador. O lance torna-se ocasião de partilha, na qual duas existências tocam no mesmo horizonte de transcendência. 

Um óbvio exemplo do que foi dito até aqui.

E como isso afeta o estado atual do futebol? Como dito no início do ensaio, a crescente intervenção e delimitação do espaço de ação do jogador, intensificadas nos últimos vinte anos como triunfo da lógica neoliberal absorvida em sua totalidade no futebol, automaticamente restringe o atleta, negando a ele o horizonte de possibilidades examinado quando este abre-se à Existenz, à existência possível. 

O que se vê na televisão não é fruto do acaso, mas sim o resultado de um processo que se intensifica na década de oitenta, tornando-se cada vez mais visível no futebol mundial que, por sua vez, encontra-se em um estágio de reificação e degradação nunca antes visto, e sem tendência de melhora. Falemos, portanto, sobre o impacto do giro neoliberal no futebol e sua relação com a transcendência.

2. O giro neoliberal e sua relação com o jogo

2.1. Sobre o neoliberalismo

“There is no alternative.”

O lema da epígrafe acima foi exaustivamente utilizado nas décadas de 80 e 90. Margaret Thatcher, sua autora, foi símbolo da ascensão neoliberal na Inglaterra, para designar um movimento forçoso, global e supostamente inevitável de virada socioeconômica, cultural, simbólica e psicológica através, em especial, do ocidente.

O neoliberalismo, que surge como novo modo de produção de vida social nos anos 70, pode ser definido como um conjunto ideário que visa a maximização econômica através de princípios como a privatização de estatais, a desregulamentação, a austeridade fiscal, a abertura comercial e a financeirização da economia. Em outras palavras:

“O neoliberalismo é entendido como um sistema de pensamento que enfatiza a superioridade das forças de mercado e da liberdade individual, defendendo a aplicação dos princípios de mercado em todos os aspectos da sociedade. Durante a ascensão do Neoliberalismo, os apelos à justiça assumiram cada vez mais a forma de exigências de reconhecimento da identidade e da diferença. A teoria neoliberal apoia a intervenção governamental mínima, enfatiza a propriedade privada e a livre concorrência e sublinha as liberdades individuais e a responsabilidade pessoal.” [2]

Seu surgimento se dá em reação direta ao esgotamento do modelo fordista-keynesiano, que havia sustentado o crescimento econômico e o pacto social do pós-Segunda Guerra Mundial. Esse modelo, baseado em forte intervenção estatal, políticas de bem-estar social, regulação dos mercados e direitos trabalhistas ampliados, começa a entrar em crise a partir dos anos 1970, especialmente com fenômenos como a estagflação, as crises do petróleo de 1973 e 1979 e a queda das taxas de lucro do capital industrial. 

Engana-se, porém, quem pensa que não há mudança no ethos do indivíduo perante a sociedade após a Segunda Guerra Mundial, e que o giro neoliberal, como chamamos, chegou como um “fantasma” no ocidente, sem causa evidente. “O homem é mediado pelas coisas da mesma forma que as coisas são mediadas pelo homem”, diria Sartre. A passagem para o neoliberalismo também se deu através de uma transformação anterior do Homem:

“Chamamos a atenção para a ausência, nessas figurações, da abordagem da mudança no interior do próprio modo de produção da vida social ocorrida durante a “era de ouro”, capaz de explicar, como observou Hobsbawm, a transformação da “comunidade” em “sociedade”, que colocou indivíduo no centro da reprodução social. Dito de outro modo, a sociedade que emergiu do pós-guerra pode ser caracterizada,grosso modo, como aquela em que as pessoas estão por si sós, em concorrência com as demais e habitando as impessoais e  opressivas metrópoles.” [3]

Além disso, apesar de o neoliberalismo ter sido experienciado apenas há pouco mais de 50 anos, como já dito, sua origem teórica surge muito antes. No final do século XIX, em resposta à crescente do liberalismo democrático inglês, Herbert Spencer já tratava o livre-mercado como absoluto, como lei natural imanente à sociedade civil. Após a Segunda Guerra, nomes como Ludwig von Mises e Friedrich Hayek ampliaram a referida visão, ainda tendo como base o mercado como formador do progresso da civilização ocidental.

É comumente aceito, entretanto, que a primeira experiência neoliberal tenha ocorrido no Chile setentista de Augusto Pinochet. Com seu “sucesso” de implementação, Estados Unidos e Inglaterra, através de Ronald Reagan e Thatcher respectivamente, adotaram ardentemente o modelo neoliberal. Seus tentáculos não demoraram para se estender aos países periféricos, em especial na América do Sul, através do Consenso de Washington (1989).

A corrosão do indivíduo, do social e do espaço são resultados indissociáveis do neoliberalismo e do capitalismo tardio. O discurso neoliberal passa a naturalizar como traços inerentes da realidade a fragmentação socioeconômica e a compressão espaço-temporal decorrentes das novas tecnologias e das formas de gestão do trabalho impulsionadas pelo capital financeiro. Nesse arranjo, os sujeitos são reduzidos à condição de “clientes” ou de força de trabalho, ao mesmo tempo em que se ampliam formas precárias e exploratórias de ocupação.

Paralelamente, o espaço geográfico também é padronizado e destituído de singularidade, configurando o que Edward Relph denomina de placelessness em sua obra Place and Placelessness: a paisagem é homogeneizada, ambientes comerciais e padronizados (shoppings, cadeias de fast-food) tornam os espaços substituíveis, inautênticos e sem ligação histórica ou cultural local. Assim, tanto o sujeito quanto o território tornam-se superfícies intercambiáveis, organizadas pela racionalidade mercantil e pela lógica da circulação.

“Além de se estabelecer como um processo de corrosão do entendimento social e coletivo, o ethos neoliberal se firmou como uma instância de controle das subjetividades, gerindo e dominando o nosso sofrimento psíquico, fazendo, ao fim e ao cabo, da economia ‘a continuação da psicologia por outros meios’, ou seja, um mecanismo autoritário de dominação subjetiva por meio da lógica da produtividade. […] A forma de ser do neoliberalismo, portanto, é construída discursivamente em torno de um inimigo comum, o Estado, que representa o coletivo social fracassado, onde, por sua vez, e em favor de um herói, advoga em causa do ‘indivíduo-empresa’.” [4]

Neoliberalismo, a política econômica da contemporaneidade.

O futebol, como já é de conhecimento de qualquer leitor do Ponto Futuro, está umbilicalmente vinculado à esfera do social e da economia política. E com o giro neoliberal isso não seria diferente. 

Como, então, o neoliberalismo afetou e afeta o futebol? Qual seu ponto de partida? Qual sua relação com a agência e a existência possível de um atleta? Vejamos a seguir.

2.2. O futebol neoliberal

“A partir disso, percebemos que o vínculo futebol-capitalismo esteve sempre presente e o futebol interligado com relações de mercado. Entretanto, ocorre uma mudança nessas relações no final do século XX. A hipótese a ser discutida é que nos anos finais da década de 1970 e principalmente a partir da década de 1980 o futebol passa por transformações estruturais, sofrendo o que chamamos aqui, de um giro neoliberal.” [5]

O futebol, enquanto fenômeno social, nunca esteve isolado do modo de produção econômico vigente. Mesmo nos áureos tempos do football romântico britânico, do Ludere Causa Ludendi (jogar pelo prazer de jogar), da prática supostamente pura, desinteressada e cavalheira, o desporto-rei era um exercício exclusivo à elite como forma de distinção de classe, visto que o proletariado em pleno capitalismo industrial não reunia condições — financeiras, sociais, espaciais e de tempo — para desfrutar do prazer de praticar o football.

Além disso, o esporte, em especial o futebol, observa enorme crescimento de popularidade no período industrial por impor similares padrões de disciplina e controle dos corpos, como bem disse Pierre Bourdieu:

“Talvez seja refletindo sobre o que o esporte tem de mais específico, isto é, a manipulação regrada do corpo, sobre o fato de o esporte, como todas as disciplinas em todas as instituições totais ou totalitárias, os conventos, as prisões, os asilos, os partidos, etc., ser uma maneira de obter do corpo uma adesão que o espírito poderia recusar, que se conseguiria compreender melhor o uso que a maior, parte dos regimes autoritários faz do esporte. A disciplina corporal é o instrumento por excelência de toda espécie de “domesticação”.” [6]

Do ponto de vista organizacional, os esportes modernos incorporam características típicas do capitalismo, como racionalização, burocratização, quantificação e especialização. A padronização das regras pela Football Association em 1863, a delimitação dos espaços de jogo e a divisão de funções entre os jogadores refletem uma lógica estrutural muito próxima à organização do trabalho na fábrica. O futebol, nesse sentido, não apenas emerge no contexto capitalista, mas reproduz sua forma interna, evidenciando-se como sempre subserviente ao seu respectivo sistema de produção.

Ou seja, seria indubitavelmente ingênuo tratar, nesta seção, o neoliberalismo como um ponto de inflexão onde o futebol deixou de ser “puro” para corromper-se à lógica de mercado, visto que sempre esteve nele inserido de alguma forma. 

O que se viu a partir da década de 1980, no entanto, é um aceleracionismo brutal do esporte como fenômeno indissociável do capitalismo, tornando-se uma mercadoria em si mesma. 

Se antes havia uma espécie de semi-independência da cultura (e, portanto, do jogo) em relação à lógica de mercado, como bem diz Fredric Jameson ainda na segunda citação do presente texto, nos últimos 40 anos observa-se uma completa absorção do esporte pela estrutura do capital. Não mentiu Foucault quando expôs que o neoliberalismo é a “racionalidade do mercado [ampliada] a campos tidos até então como não-econômicos”.

Supramencionada capacidade fágica é característica do “capitalismo tardio” (Jameson) e do neoliberalismo, que, após o esgotamento do modelo fordista de hierarquização industrial, operou sob a necessidade de absorver críticas sociais e culturais advindas de protestos a nível mundial entre o fim dos anos 60 e o começo da década de 70, engolindo ditos discursos para impor uma nova forma de dominação sócio-cultural. Esse “novo espírito do capitalismo”, desenvolvido teoricamente por Luc Boltanski e Ève Chiapello e que indistingue o capital do cultural, chega a galopes no contexto futebolístico.

“Como a lógica do capitalismo tardio é cultural e com a cultura imiscuída ao econômico e se tornando produto, apreende-se que isso se passa com o futebol. Ou seja, o futebol se torna uma mercadoria em si e passa a ser essencial para economia do capitalismo, pois ajuda a sustentar a necessidade de consumo, gerando lucros e alimentando o sistema. Ademais, o esporte em geral vende muito bem os produtos e valores dominantes do capitalismo tardio. E o futebol é fundamental para a indústria do entretenimento, pois é uma mercadoria extremamente fácil de ser vendida das mais diferentes formas e através dos mais distintos produtos.” [5]

No que diz respeito à conjuntura do futebol, na década de 80 já é possível relatar os primeiros eventos característicos dessa assimilação completa da lógica de mercado. O êxodo de craques brasileiros como Zico, Falcão, Sócrates e Toninho Cerezo ao continente europeu, para além do boom das camisas com empresas de material esportivos estampadas no peito, marcaram apenas o início do processo.

“O Brasil entrega o ouro e ainda baixa as calças”, de Franklin Maxado. 1984.

Especificamente a respeito do neoliberalismo, vemos sua proliferação no futebol surgindo, primeiramente, no futebol inglês. A Tragédia de Hillsborough (1989), onde quase cem torcedores do Liverpool foram mortos pelas condições estruturais precárias e pela superlotação do Estádio Hillsborough, serviu como pretexto para o governo Thatcher incentivar a criação dos primeiros estádios-arena, não tão distintos de shopping centers (como vemos hoje em frequência nauseante), reservando a experiência de assistir ao jogo futebol para camadas mais privilegiadas da população inglesa.

Além disso, a criação da Premier League no início dos anos 90 também pode ser observada como um fenômeno similar. Fundada em 1992 com o objetivo de romper em definitivo com a Football League, a “PL” surge como uma instituição privada onde o lucro viria, em grande parte, da venda de direitos esportivos de televisão. Não para por aí: em 1991, o Manchester United se abriu ao capital da bolsa de valores, um marco significativo na financeirização do futebol, típica do neoliberalismo.

Um dos elementos tidos como decisivos dessa reconfiguração foi a Lei Bosman (1995), que liberalizou o mercado de trabalho no futebol europeu ao permitir a livre circulação de jogadores e restringir mecanismos de retenção contratual, intensificando a concentração de talentos nos clubes ricos e reforçando a assimetria entre ligas centrais e periféricas. Referida medida favorece agentes já capitalizados, aprofundando desigualdades já candentes. No futebol, isso se traduz na capacidade dos grandes clubes europeus de atrair e reter os melhores jogadores do mundo, consolidando sua posição dominante. 

Outro fenômeno essencialmente neoliberal e característico do futebol do século XXI é o de sportswashing, bem definido no excerto abaixo:

“O interesse de Estados e governos pelo esporte não é um fenômeno recente. Essa presença tem se manifestado de diversas formas ao longo do tempo, como exemplificado  pela “diplomacia do pingue-pongue” na década de 1970, que contribuiu para o estreitamento de relações entre os Estados Unidos e a China, resultando na adesão deste último ao Conselho de Segurança da ONU. […] Ao considerarmos a crescente  presença de países do Oriente Médio no esporte, em específico o clube da cidade de Manchester [Man. City], o termo sportswashing tem sido aplicado na tentativa de mitigar algumas das ações e posicionamentos considerados negativos no âmbito político e de direitos humanos, em prol da produção de uma imagem integrativa produzida pelo esporte.” [7]

Existem ainda outros inúmeros exemplos sobre o que escrevo. A criação da UEFA Champions League e outras competições que preenchem o calendário europeu, priorizando expansão de receitas, novos formatos de competição e maximização de audiência global, muitas vezes em detrimento de calendários sustentáveis ou do equilíbrio esportivo; a globalização e transformação das categorias de base como multinacionais de scouting de talentos, buscando pé-de-obra majoritariamente em países “extrativistas” do Sul Global; entre muitos outros.

A marca Champions League como triunfo europeu em instrumentalizar uma psicosfera de “superioridade natural” do futebol do Velho Mundo.

Para além de todas as manifestações mais óbvias e conhecidas do capitalismo tardio e do neoliberalismo no contexto futebolístico, existe uma dimensão individual, subjetiva, pouco abordada no assunto. Como já dito, o sujeito media o exterior da mesma forma que o exterior media o sujeito. E o que se observa no jogo contemporâneo é justamente uma dessubjetivação e esvaziamento do atleta.

Novamente, já discorri sobre o tema em meu último texto, mas acredito que seja útil para a discussão aqui abordada trazê-lo à tona novamente. Se o jogador britânico amador do século XIX já estava sob um processo de domesticação do corpo intrínseca à própria prática do esporte, o futebolista do século XXI é rigorosamente restringido também pelo modelo de jogo que aplica em campo.

Em Esvaziamento, cito como o atleta, através da proliferação da lógica posicional, da ocupação quase que completamente pré-determinada do espaço, tende a perder sua unicidade, sua forma, sua individualidade e sua aura (emprestando-me do conceito de Walter Benjamin) a fim de se tornar um mero ponto no plano, aparentemente à mercê da vontade do treinador. Lá, desenvolvo a ideia com maior profundidade.

É claro, ademais, que não se trata de algo independente do modelo produtivo que nos cerca. Wendy Brown, em Undoing the Demos, sustenta que o neoliberalismo corrói a própria ideia de sujeito político. O indivíduo deixa de se perceber como cidadão e passa a se entender como capital humano. Isso implica uma perda de dimensão ética e coletiva da subjetividade, substituída por cálculo e competição. Tiqqun, em Teoria do Bloom, também demonstra como o indivíduo do capitalismo tardio, representado pela figura do Bloom, é esvaziado de sua subjetividade: uma figura anônima, desprovida de vínculos comunitários efetivos, moldada pelas dinâmicas da vida liberal e pelos dispositivos biopolíticos. 

Sendo assim, parece que caímos num beco sem saída, num completo desespero movido pela perda de identidade e unicidade do jogador de futebol. Então, nada resta ao atleta senão o silêncio? Argumento a seguir que há, sim, alguma fagulha de esperança para o futebolista.

3. O jogador pode (ainda) lançar-se à transcendência nos espaços de ação.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que, para o autor do presente texto, o indivíduo nunca será apenas a soma de suas condições histórico-materiais. Mesmo que o sujeito esteja, sim, constantemente mediado pelo ambiente e pelo Outro ao redor, ele ainda é uma práxis situada que interioriza condições objetivas e as reexterioriza como ação. O Dasein jasperiano, o ser-aí, não é sublimado, tampouco sua existência possível (Existenz) totalmente anulada estando situado na história.

Em seguida, é evidente que o maior problema está no macro, e não no micro. Se há alguma via mais elevada de superação, ela reside na abertura de práticas que desloquem o futebol da lógica exclusiva da valorização. Tal movimento pressupõe a emergência de mediações institucionais e culturais que, ainda que situadas, tensionem a hegemonia neoliberal ao reintroduzir no futebol dimensões não inteiramente capturáveis pelo capital a fim de ao menos devolver ao jogo sua “semi-autonomia” enquanto fenômeno cultural.

Dito isso, retornemos aos ditos espaços restringidos pela lógica da extrema racionalização dos espaços. Analisando-os a partir da interpretação imediata do jogador, que ocupa aquela respectiva zona pré-estabelecida naquele momento previamente treinado e coordenado, é possível, no fim, ressignificá-los. Como? Milton Santos pode nos ajudar.

Para ele, o espaço geográfico é, essencialmente, composto por sistemas de ação. Nele, os sujeitos — sobretudo os não hegemônicos — exercem práticas concretas capazes de tensionar, reapropriar ou ressignificar a ordem imposta pelos sistemas dominantes. Tratam-se de zonas de possibilidade inscritas na materialidade e na vida cotidiana, nas quais, apesar da racionalidade técnico-científico-informacional que estrutura o território, ainda emergem usos, relações e iniciativas que escapam parcialmente à lógica do capital e afirmam outras formas de existência e de organização social.

Milton Santos (1926–2001), dos maiores intelectuais que o Brasil já produziu.

Caso desloquemos referido conceito ao nosso problema, vemos que as zonas pré-determinadas pelo treinador deixam de ser apenas um dispositivo de controle para se revelar também como um campo de possibilidades. Ainda que rigidamente definida por princípios táticos e coordenadas espaciais, essa zona nunca se esgota em sua prescrição: ela é vivida, interpretada e atualizada pelo jogador em situação. 

A ocupação espacial insensível ao contexto aposteriorístico inerente ao jogo corresponde ao que Santos chamaria de uma racionalidade imposta, técnico-organizacional; já a maneira como o atleta ocupa, temporiza, acelera, engana ou desloca-se dentro dessa zona constitui o uso vivido, onde se abre a margem de ação. É nessa fricção entre prescrição e execução que o espaço funcional pode ser reapropriado.

Assim, justamente nesse espaço reapropriado, de novos signos e novas interpretações, surge uma nova abertura às infindas possibilidades que residem naquele microssegundo entre a tomada de decisão do atleta e sua consumação em ato. A Existenz examinada e escolhida pelo jogador no referido instante, ressignificando uma ação e um espaço a ele anterior e proibitivamente designados, faz com que o habilite a lançar-se à transcendência.

Isso pode ocorrer a todo momento. Em qualquer intervalo de tempo, qualquer espaço pode ser reinterpretado entre a prescrição e a execução, mesmo aqueles aparentemente cooptados pela lógica neoliberal em sua totalidade. A contragosto do técnico, do clube, da liga, da associação? Talvez, mas concluo que isso é, como já nos mostraram Pelé, Maradona e outros, o que significa ser um jogador de futebol: ressignificar espaços de ação e perceber-se como indivíduo dotado de agência naquele instante para lançar-se em direção ao horizonte do desconhecido, para se projetar, enfim, à transcendência.

Referências

[1] MELO, Fernanda Araújo. As cifras da transcendência na filosofia de Karl Jaspers. Juíz de Fora: UFJF, 2009.

[2] LIN, J. L.; WONG, Y. “Back to Marx: reflections on the feminist crisis at the crossroads of neoliberalism and neoconservatism”. Humanities and Social Sciences Communications, vol. 10, n. 954, 2023. 

[3] PEREIRA BRAGA, H. Individualização e neoliberalismo: uma contribuição à investigação da emergência do neoliberalismo. Rev. Katálysis., Florianópolis, v.27, e97378. 2024 ISSN 1982-0259, 2024.

[4] PAULINO, Francisco Glauber de Oliveira; MEDEIROS, Jarles Lopes de; COSTA, Frederico Jorge Ferreira; ARAÚJO, Maria Núbia de; SOUZA, Antoniele Silvana de Melo. Princípios histórico-filosóficos do neoliberalismo e sua relação com o mundo do trabalho. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, ano VI, v. 17, n. 49, 2024. 

[5] HAAG, Fernanda Ribeiro. Futebol e o Giro Neoliberal: Apontamentos e o Caso Brasileiro. PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 57–80, 2013. DOI: 10.5585/podium.v2i1.36. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/podium/article/view/9138. Acesso em: 4 maio. 2026. 

[6] BOURDIEU, P.  (1990).  Programa  para  uma  sociologia  do  esporte.  In:  BOURDIEU,  Pierre. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, p. 207-220.

[7] CARVALHO, R. A.; ALMADA, P. E. R. Da Lei Bosman ao sportswashing. Ambivalências, v. 12, n. 24, p. 325–341, 20 nov. 2024.

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